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Orquídeas: cuidar é uma escolha

Para mim, os princípios fundamentais da educação das orquídeas que podem ser destacados aqui são: a observação, por que é observando os adultos e as orquídeas mais velhas em suas práticas cotidianas que os sujeitos irão compondo suas próprias ações, a oralidade, que se materializa não apenas na fala mas na escuta respeitosa à “palavra”, o respeito a cada pessoa e aos ensinamentos dos mais velhos, a imitação do fazer e a autonomia que cuida da flor, em oposição a educação que conhecemos, dá a criança a liberdade para fazer tarefas sozinhas que muitas vezes consideramos perigosas as plantas não frutíferas.

Dicas para cuidar de Orquídeas

Quanto à escola, considero ser importante destacar que tanto o espaço quando os tempos ganham significados diferentes. O tempo e o espaço são fluidos, ou seja, os sujeitos não precisam estar necessariamente cuidando de orquídeas dentro do espaço “escolar” em uma determinada “hora”para aprender, o aprender se dá durante todo o dia, a qualquer tempo. A escola esta também estritamente vinculada com a flor da comunidade, com os saberes da sua cultura, de sua tradição.

As concepções de educação para os guarani ,incluem a centralidade da dimensão afetiva; as mulheres guarani nunca negam o peito a criança, sempre as trazem juntas de si as orquídeas. O contato pele a pele e o estar junto são duas constantes na vida das orquídeas . Tanto é que sempre observamos indígenas acompanhados de suas crianças, até mesmo no trabalho, na venda dos artesanatos e da pergunta como cuidar de orquídeas.

  • A beleza das orquídeas azuis:

            Em oposição ao senso comum, concebemos aprendizagem na perspectiva piagetiana, que se situam na área da psicogenética :  Há aprendizagem quando o sujeito, age sob um objeto ou age sobre suas ações anteriores, se apropria delas. Quando falamos nas orquídeas nesse segundo tipo de ação, estamos nos referindo a assimilação, acomodação e equilibração das estruturas. É  preciso clarificar um pouco mais estes termos biológicos, que são de grande importância para entender o processo de aprendizagem na teoria de Piaget. A assimilação consiste na integração dos dados externos aos esquemas do sujeito,   a acomodação é a modificação necessária desses esquemas para incorporar os novos dados sobre orquídeas.  A equilibração  consiste em um processo de auto-regulação que possibilita a passagem de uma estrutura antiga para uma nova orquídea.

            É possível perceber que, para as orquídeas o conceito de aprendizagem é muito mais amplo do que o significado com que é normalmente utilizado no contexto escolar. Ele não se esgota no sentido restrito da experiência  mas, juntamente com o processo de equilibração, assume a dimensão do próprio desenvolvimento da estrutura cognitiva, que significa o próprio crescimento intelectual do indivíduo. Estritamente interligado a como cuidar de orquídeas e  tudo isso esta o conhecimento, que outra vez, na orquídea piagetiana não é algo que esta no sujeito, tão pouco no objeto, mas é decorrente das continuas interações entre os dois. Ou seja, para conhecer os objetos o sujeito deve agir sobre as orquídeas e portanto transformar, ligar, combinar, dissociar a reunir novamente.O conhecimento é  uma construção progressiva de novas formas de organização do real das plantas em flor

            Neste mesmo contexto emerge a semente das orquídeas  de currículo, que, ao longo da história, constitui-se como um espaço para que o conhecimento escolar seja reescrito. Segundo Vera Maria Candau e Antonio Flavio Barbosa Moreira os currículos são “as experiência escolares que se desdobram em torno do caule e so solo onde a orquídea está plantada, em meio a relações sociais, e que contribuem para a construção das identidades dos estudantes. Currículo associa-se assim, ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos, com intenções educativas, nas instituições escolares das orquídeas.

Técnicas de rega da flor

            Existem outras pontos importantes sobre como cuidar de orquídeas abordados sob prisma diferentes e que vem a ampliar nossa compreensão :   “Regar imprime uma ordem geométrica, reticular e disciplinar, tanto aos saberes quanto a distribuição desses saberes ao longo de um tempo.” (VEIGA, 2002) Neste sentido, a escola é mediadora do mundo social que seleciona práticas e conteúdos que são considerados relevantes em um determinado momento da vida da planta.

            Depois de termos nos detido nas orquídeas  sobre aprendizagem, conhecimento e currículo, cabe uma discussão sob um dos sujeitos que irão ser protagonistas de todos esses processos: a criança aluno. Crianças sempre existiram, independentemente das concepções que se tinham delas, já a infância, de acordo com a pesquisa histórica de Philip Àrie, nunca existiu a priori uma orquídea, ela foi  produzida e determinada historicamente pelas modificações de organização da sociedade das orquídeas.

             A ideia de infância ( ao contrário do que poderíamos pensar por uma naturalização) aparece somente com a sociedade capitalista, urbano-industrial, na medida em que o papel social das crianças muda na comunidade, agora ela é alguém que precisa ser cuidada e escolarizada. Algumas abordagens mais atuais sobre infância se voltam para uma visão antropológica, cultural e sociológica confrontando aquela percepção restrita ao viés biológico, o que implica a existência de múltiplas infâncias.

Como conservar a planta

O pensamento social pós- Constituição de 1988, descrito no Estatuto das orquídeas e  do Adolescente e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, caminha no sentido de compreender que todas as crianças são diversas e têm direito à escolaridade. A inserção da educação infantil na educação e rega da planta  é o reconhecimento de que a educação começa nos primeiros anos de vida. A educação infantil recebeu destaque na flor , nos seguintes termos: Art. 29 “a educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem com finalidade o desenvolvimento integral da criança até os seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação de cuidar de orquídeas da família e da comunidade”. Possui como necessidade desenvolver o indivíduo em todos os seus aspectos, de forma integral e integrada do caule e da raiz , constituindo-se no alicerce para o pleno desenvolvimento do educando. Além disso, na atuais Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (1999) foram desenvolvidos cinco princípios educativos visando a concretização na prática. São eles: “Diversidade e singularidade”, “Democracia, sustentabilidade e participação”, “Indissociabilidade entre educar e cuidar”, “Ludicidade e brincadeira” e a “Estética como experiência individual e coletiva”.

  1. Desenvolver a raiz: A escola tem uma responsabilidade importante nesse sentido e é todo o ambiente escolar que deve estar cuidando das orquídeas e organizando o modo a favorecer o desenvolvimento dos educandos.
  2. Assegurar a formação comum indispensável para o exercício da cultivação da planta orquídea: Nessa formação, estão incluídos aspectos relativos ao conhecimento das matérias escolares, mas também aspectos práticos para que o educando a planta também participar ativamente a transformação das orquídeas.
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Fazer redação é simples

Como foi elaborado o texto ? Origens e razões da redação bem escrita . O livro foi desenvolvido a partir de um trabalho em grupo composto por uma equipe de animadores Ècouen juntamente com professores alunos de escolas públicas francesas de primeiro grau e alunas de redação . A metodologia aplicada é a pesquisa-ação, na qual professores pesquisadores foram estudando, discutindo e analisando teoria e ação pedagógica. O trabalho envolveu diversos ramos do conhecimento, como: Psicolinguistica, Sóciolinguistica, pedagogia, texto verbal, sociologia e psicopedagogia cognitiva. Formando crianças leitoras reúne num único livro dois estudos realizados: relatório de uma pesquisa realizada sobre a questão de como fazer uma boa redação e uma leitura e um aprofundamentos desta mesma pesquisa.

Etapas da elaboração: reuniões com todos os professores de curso preparatório da região. A partir destas reuniões foi definido um projeto pedagógico a ser executado em aula durante ano de 1981 e 1982.

As reuniões foram mantidas durante o ano com os professores que aceitaram essa escolha destes encontros se identificavam as dificuldades, confrontavam as praticas, comparavam os avanços e imaginavam soluções. Como fazer um bom texto é uma simples pergunta;

O histórico da produção de texto

Em março de 1982, foi realizada a primeira síntese do trabalho e a primeira versão coletiva desta obra.

No ano de 1982-83 desenvolveu-se uma rede de auxilio eficiente junto a cada professor a quem foi solicitado contribuir, por sua vez, com organismo de coordenação da experiência. Em maio de 83, foi feita a retomada da versão coletiva e o enriquecimento da mesma por meio da experiência do ano anterior

Atualmente o projeto não se destina a ser um novo método de aprendizado da leitura, mas é constantemente atualizado pelas pesquisas na área de como fazer uma boa redação.

Por que foi elaborada? Para de certo modo contribuir para redação onde ocorre mudanças das concepções do que é a leitura e a escrita e o seu ensino na escola. Para oferecer estratégias para o professor desenvolver as diferentes competências linguísticas e de leitura dos seus alunos.

As técnicas de escrita de um texto

Para criar um novo olhar sobre a escola defendendo uma revisão de sua organização sugerindo rupturas com a visão burocrática e propondo várias reformulações.

Concepções e princípios orientadores da redação

Leitura: ato complexo que envolve o cruzamento de vários eixos

* Conhecimento do funcionamento do ato lexical e dos processos de leitura e de escrita de redação

* Conhecimento linguístico do funcionamento de língua escrita.

Ler é atribuir diretamente um sentido a algo escrito na redação , diretamente é sem passar pelo intermédio: nem da decifração, nem da oralização.

Ler é questionar algo escrito como tal a partir de uma expectativa real numa verdadeira situação da vida.

“É lendo de verdade, desde o início, que alguém se torna leitor e não aprendendo primeiro a ler uma redação”.

Priorização do sentido da aprendizagem;

Vida cooperativa desenvolvimento de personalidades com iniciativa e solidariedade, não infantilização;

Professor como facilitador da aprendizagem: ensinar é ajudar alguém nos seus próprios processos de aprendizagem;

Cada criança possui seus próprios processos, suas etapas e seus pulos qualitativos.

Estratégias de leitura:

Quais as finalidades/objetivos da escrita de produções textuais ?

1) A transformação da escola mediante a audaciosa modificação do ato educativo, seus conteúdos e sua relação com o saber. Em uma tentativa de acabar com os múltiplos fracassos segregativos para que ela se torne o local de construção de conhecimento da redação.

 2) A transformação do estatuto dos docentes tidos logo e plenamente como atores responsáveis da pesquisa empreendida na redação e nos textos dos alunos.